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Por Adriana Magalhães
“Enquanto as incorporadoras disputam cada metro quadrado de terreno, prédios inteiros com ótima localização estão vazios, completamente degradados”
Administradora*
Circulou nas últimas semanas pela internet um artigo do diretor teatral Pedro Paulo Cava, comentando, de forma nostálgica e poética que lhe é peculiar, sobre o andamento das obras que estão sendo realizadas no antigo Cine Brasil, na Praça Sete, em Belo Horizonte, para abrigar o V&M Brasil Centro de Cultura, espaço cultural a ser implantado até 2008 naquele local. Depois de anos em completo abandono, o imóvel voltará a ser palco de eventos culturais, contrariando os interesses de grandes varejistas que há muito o cobiçam.
O edifício do Cine Teatro Brasil foi inaugurado em 1932 e é um marco da arquitetura art-déco projetado pelo arquiteto Ângelo Alberto Murgel. Tombado em 1999, o imóvel pertencia ao espólio de Antônio Luciano, falecido proprietário de vários antigos cinemas, e foi negociado até pelo prefeito Fernando Pimentel, que queria transformá-lo no Teatro Municipal de Belo Horizonte.
Após sua compra pela Vallourec & Mannesmann, o local vai abrigar um grande teatro e pequenos espaços multimídias, galeria de exposição de quadros, ateliês, estúdio de gravação e edição de vídeo, café-livraria, salão de festas destinado a eventos sociais e salas destinadas ao aprendizado e criação artística.
A iniciativa poderá estimular a requalificação de espaços públicos e privados para que deixem de ser subutilizados. Esse tipo de intervenção beneficia não só os residentes da região, mas toda a cidade, que vê à disposição uma infra-estrutura de lazer e convívio.
Imóveis antigos, ao serem restaurados, tornam-se exemplares de monumentos arquitetônicos preservados. Enquanto as incorporadoras disputam cada metro quadrado de terreno, prédios inteiros em ótima localização estão vazios, completamente degradados, como o Cine Brasil. A relação entre reforma e valorização do imóvel é direta. Ao recuperar fachadas, investir em equipamentos mais modernos e restaurar mobiliário, o imóvel ganha valor de mercado e, a empresa responsável, admiração do público.
Não é fácil transformar um imóvel da década passada num empreendimento moderno. Em geral, esses imóveis apresentam problemas estruturais, hidráulicos e elétricos, elevadores lentos, instalações ineficientes. A solução, o retrofit, termo em inglês para designar a reforma do edifício através da incorporação de novas tecnologias exigidas pelo mercado, aumenta sua vida útil. É a possibilidade de usar um espaço ao mesmo tempo em que se caminha pela história.
O processo de revitalização de imóveis antigos, além de proporcionar um retorno econômico para os proprietários dos edifícios por meio da valorização do imóvel, do aumento do valor da locação e da diminuição dos custos de manutenção, melhora consideravelmente a imagem institucional da empresa uma vez que mostra sua preocupação em recuperar o patrimônio histórico-cultural da cidade.
Transformar antigos casarões em teatros, museus, bibliotecas ou mesmo shoppings e escritórios é uma forma de preservar nosso passado, garantindo-nos memória e histórias para contar no futuro. Que outras V&M ousem adotar patrimônios de nossa cidade.
*Vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/MG) e do Secovi-MG, diretora da Netimóveis Céu-Lar, escreve a coluna quinzenalmente, revezando-se com Francisco Maia Neto
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