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Nesta seção, selecionamos algumas passagens importantes da história do Cinema em Belo Horizonte, desde a fundação da capital. De evento isolado e restrito a salas privadas de exibição a diversão popular consagrada, o cinema consolida-se como motivação à vida social, evolui tecnicamente e cativa espectadores. E muito dessa história é contada nas dependências do Cine Brasil.
Muitos estudiosos abordam a gênese da vida social belo-horizontina e a importância do cinema nesse contexto. Destacam-se como referências do recorte aqui apresentado as pesquisas de Ataídes Braga, em O Fim das Coisas e de Maria Céres Castro (et. al.) em Folhas do Tempo; imprensa e cotidiano em Belo Horizonte.
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| Vista do arraial do Curral D'El Rey. |
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Heranças do passado
1897. Belo Horizonte, a cidade planejada para ser a nova capital de Minas Gerais, é novidade esperada com destino e desafios já bastante definidos: alinhar Minas Gerais aos estados que têm como capitais metrópoles prontas a receber e a promover modernidade. Os ideais republicanos precisam de cenários adequados e de cidades que superem o provincianismo imperial.
O repertório de imagens de Ouro Preto, as heranças da mineração, do colonialismo e as motivações imperiais já não estão sintonizados com a necessidade de trazer aos olhos do Brasil a capital que será o espaço do desenvolvimento, do progresso e do trabalho. Minas Gerais deveria tornar-se um pólo que levará o Brasil republicano ao caminho do progresso.
Ao mesmo tempo, a construção de uma nova capital sinaliza que é tempo de Minas se inspirar no passado inconfidente. Assim, desse momento em diante, Ouro Preto torna-se espécie de oráculo desse passado inspirador, mirado na chamada permanente à nacionalidade, materializada num ideário de lutas libertárias, da qual Minas foi uma grande emissora.
A cidade, sua missão, seu traçado
A República traça as novas promessas e os novos desafios. O passado traz as reminiscências revolucionárias. E o lugar de realização desses novos desígnios é a recém-construída Belo Horizonte. Minas Gerais tem novas e importantes missões a desempenhar no Brasil - República. E, para isso, busca, na capital moderna, cujo planejamento urbanístico inspira-se em capitais cosmopolitas como Paris e Washington, o instrumento de ação para cumprir esse destino.
A comissão construtora era chefiada por Aarão Reis. As obras são iniciadas antes de 1897, mas perdurarão por alguns anos após a fundação da capital.
Na malha ortogonalizada do projeto da capital, o traçado urbano e a hierarquização dos espaços acabam por refletir o ordenamento social vigente. A sociedade belo-horizontina começa a se formar e tornam-se necessárias propostas de entretenimento e integração social.
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