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| A movimentada saída de uma sessão do Cine Brasil. |
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Abre-se a década de 30. O cinema já é diversão consolidada em Belo Horizonte. O tipo vida social levado pela população assemelha-se mais ao ideal para uma metrópole nascente: ruas mais cheias, o footing, o sagrado burburinho das salas de espera das sessões de cinema, os aguardados flertes, as conversas e discussões às mesas dos cafés. Belo Horizonte segue acalentando o sonho de aproximar sua a imagem à da cosmopolita Paris.
O Modernismo
O modernismo começa a exercer maior influência nas artes plásticas em função da itinerância de algumas exposições que, partindo do Rio e São Paulo, colocam os artistas locais em contato com as tendências e debates de então.
| Um panorama cronológico das artes em Belo Horizonte é apresentado no CD ROM Museu de Arte da Pmpulha. Belo Horizonte: Ciclope; Prefeitura de Belo Horizonte/Secretaria Municipal de Cultura, 1996. |
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Ainda sim, de acordo com Cristina Àvila, uma das grandes vias de tradução do impacto modernista em Belo Horizonte são as artes da ilustração e caricaturas, que serviam à imprensa.
Cine Brasil: um marco na vida social belo-horizontina
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| A fachada do Cine Brasil, marco na arquitetura art déco de Belo Horizonte. |
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Mas a vida cinematográfica da capital até o início da década de 30 ainda não havia vivido a projeção que a inauguração do Cine Theatro Brasil, em 1932, iria permitir.
O Cine Brasil, uma das maiores salas de exibição da cidade e, durante um certo tempo, uma das maiores da América Latina, foi um marco não somente na vida cultural e social de BH, como também na arquitetura, tradução expressiva do estilo art déco belo-horizontino.
O Cine Brasil era uma casa de espetáculos, que abrigava também apresentações teatrais. O impacto do edifício na paisagem belo-horizontina refere-se não só à grande fachada art décó que modifica a paisagem da Praça Sete com suas linhas e curvas futuristas, mas representa também a continuidade da tradução de todo um projeto de racionalidade geométrica e de funcionalidade que permeiam o imaginário urbanístico de Belo Horizonte desde a planta.
A planta em "V" do Cine Brasil e suas linhas ordenadas dão conta de um projeto de racionalidade e organização e impactam decisivamente a Praça Sete, gerando ângulos e vértices a serem fruidos pela população, revelando a aparência de transatlântico já mencionada pelo escritor Eduardo Frieiro em 1936[1], surpreendendo a visão em relação à linearidade da vista urbana de então. Foi também um marco da verticalização da capital, precursor dos primeiros edifícios arranha-céus, estilo do qual o Edifício Acaiaca tornou-se outra referência clássica no art déco mineiro.
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| Burburinho à ocasião da inauguração do Cine Theatro Brasil, em 1932. |
Lançamento da pedra fundamental do Cine Theatro Brasil. 1930. |
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| Terreno da Praça Sete em 1930, preparado para o início das obras do Cine Theatro Brasil. |
Equipe de lanterninhas dos primeiros anos do Cine Brasil. |
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É em função de todo um significado de renovação que o Cine Brasil sedia, em 1936, o Salão do Bar Brasil, proposto por um grupo de artistas que buscavam alinhamento ao perfil modernista, liderado por Delpino Jr.
Nesse momento, as influências modernistas tornam-se mais efetivas por trazerem a discussão a público no ambiente das artes plásticas, quebrando a hegemonia da Sociedade Mineira de Belas Artes, que manteve as discussões artísticas, até aquela ocasião, afeita aos temas clássicos, acadêmicos e locais. Essa exposição abre para Belo Horizonte a era dos salões de artes em que passa-se a contar com o apoio do poder público e com maior visibilidade à produção local.
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| Equipe de presentes no Salão do Bar Brasil, com a artista Jeanne Milde ao centro. |
Caricatura de Del Pino. Artistas do Salão do Bar Brasil. 1936. |
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Continuidades e rupturas
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| Cine Metrópole lotado, apresentação teatral em 1943. |
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A partir da introdução do som nas reproduções cinematográficas, ocorridas em BH a partir do início da década de 30, o cinema reforça ainda mais os seus laços com o imaginário da população, levando cada dia mais pessoas às encantadoras novidades fabricadas pela Indústria Cultural.
O pesquisador Ataídes Braga[2] aponta que, a partir desse período, a maior parte das salas de exibição da capital precisou passar por reformas para se adaptar à realidade da transmissão de sons. E a continuidade desse processo leva a um ápice da qualidade dos filmes e das salas de exibição e também das bilheterias, fazendo das décadas de 30 e 40 uma época de ouro para o cinema.
A vida econômica da cidade se intensifica com a construção de novos centros industriais, estimulados sobretudo pela II Guerra Mundial. As revoluções urbanísticas da cidade também seguem seu curso, com a construção da Pampulha, marco da arquitetura modernista, em missão chefiada por Oscar Niemeyer.
O cinema segue rumo à sua popularização cada vez maior, com a inauguração de salas fora do eixo central, tais como o Cine São Carlos, na Rua Padre Eustáquio, e o Cinema São José, à Rua Platina.
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| Fachada do Cine São José. |
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O destaque da década de 40 foi a abertura do Cine Metrópole, que, à maneira do Brasil, funcionava como casa de espetáculos, sediando inclusive a primeira exibição da orquestra sinfônica de Belo Horizonte.
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Cartaz de divulgação da a inauguração
do Cine Metrópole. |
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As décadas de 1950 e 1960 são marcadas por mais inaugurações e por um refinamento da qualidade técnica, tanto das fitas e dos aparatos de exibição e sonorização das salas, como também da engenharia dos espaços.
A década de 60 é marcada por um maior desenvolvimento da atividade cineclubista. Filmes de arte, denúncia e documentários eram analisados e discutidos, num movimento que fazia frente não somente à massificação iniciada pela introdução da televisão nos lares brasileiros, como também ao grande circuito comercial do cinema hollywoodiano consolidado tanto em Belo Horizonte como em outras grandes cidades do Brasil. Nesse contexto, destaca-se a atividade do CEC (Centro de estudos cinematográficos), fundado em 1951, e do Cine clube Belo Horizonte (CCBH).
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